quinta-feira, 26 de abril de 2007



Dezembros

(Fagner, Zeca Baleiro e Fausto Nilo)


"Nunca mais a natureza da manhã

E a beleza no artifício da cidade

Num edifício sem janela

Desenhei os olhos dela

Entre vestígios de bala

E a luz da televisão

Os meus olhos têm a fome

Do horizonte

Sua face é um espelho

Sem promessa

Por dezembros atravesso

Oceanos e desertos

Vendo a morte assim tão perto

Minha vida em suas mãos

O trem se vai

Na noite sem estrelas

E o dia vem

Nem eu nem trem nem ela "
É ISSO...

sexta-feira, 30 de março de 2007


"Meu amor...
Deixa eu chorar até cansar,
Me leve pra qualquer lugar
Aonde Deus possa me ouvir
Minha dor...
Eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber
Me deixe aqui, pode sair
Adeus..."
Aonde Deus Possa me Ouvir
Vander Lee
Queria poder mudar as coisas, queria que vc não sofresse, queria poder te dar mais saúde, mais força, mais alegria...mais vida!
:S
Um beijo tia- dindinha!!!
* Na foto... euuuu!!!

quinta-feira, 29 de março de 2007




Canteiros


Cecília Meireles



Quando penso em você fecho os olhos de saudade

Tenho tido muita coisa, menos a felicidade

Correm os meus dedos longos em versos tristes que invento

Nem aquilo a que me entrego já me traz contentamento

Pode ser até amanhã, cedo claro feito dia

mas nada do que me dizem me faz sentir alegria

Eu só queria ter no mato um gosto de framboesa

Para correr entre os canteiros e esconder minha tristeza

Que eu ainda sou bem moço para tanta tristeza

E deixemos de coisa, cuidemos da vida,

Pois se não chega a morte ou coisa parecida

E nos arrasta moço, sem ter visto a vida.






Cecília Meireles


"...Liberdade, essa palavraque o sonho humano alimentaque não há ninguém que expliquee ninguém que não entenda..."(Romanceiro da Inconfidência)
Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil S.A., e de D. Matilde Benevides Meireles, professora municipal, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro. Foi a única sobrevivente dos quatros filhos do casal.

O pai faleceu três meses antes do seu nascimento, e sua mãe quando ainda não tinha três anos. Criou-a, a partir de então, sua avó D. Jacinta Garcia Benevides. Escreveria mais tarde:"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.(...) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.(...)

Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."